terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Silêncio


Estou aqui. Sou levada pela maré arrepiante que inundou o meu quarto, o meu espaço de sossego e tranquilidade, que me faz encontrar quando estou perdida... Mas agora até esse foi destruído pelo gelo das águas marinhas que me levam e me afogam na profundidade dos meus desejos, actos, pensamentos... Acredito. Somos o nosso pior inimigo, e por mais que a profundidade seja assolada pela falta de luz e assombrada pelas dores do passado, não é suficientemente profunda e assustadora para eu me ter como amiga de mim própria... As criaturas falam comigo, tentando entender porque não luto; a resposta é simples, mas não vem. Estou muda para explicar o que quer que seja sobre o porquê desta tormenta, não há som no mundo que justifique a falta de actos... Eu podia nadar contra a corrente, agarrar-me a uma rocha ou a uma raia que estivesse de passagem, apenas para sobreviver, mas não... Estou paralítica de quaisquer tipo de movimentos, e a corrente que me puxa é contrária ás que se conhecem; esta suga-me do cimo para o fundo do oceano... Onde irei parar? Não faço ideia, nada pergunto, nada respondo; estou perdida, estou muda.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

?


A minha mãe tem uma queda para a inteligência,
eu tenho uma inteligência para a queda

Sonho



Vejo os despojos desta estrada que me guia na minha viagem,
Vejo os pássaros chilreando á minha volta,
Sinto o vento breve, solto, que vai de passagem,
Sinto o cheiro da terra, da erva, da lágrima que se solta

E vejo-te no meu pensamento e no meu sorriso,

E vislumbro a tua figura á minha frente deparada,

Porque nada me faz bem ver, e por isso,
Estarei eu na direcção certa desta caminhada?

Os pirilampos que agora brilham na penumbra,
Que iluminam o meu trajecto de luar,
Dizem ser um bom caminho este,
Que menos obstáculos irei encontrar

Mas questiono-me sobre tal situação,

Em que pedras e rochas e areias se fundem na terra seca,

Em que buracos e outras profundidade estão em união,

da madre vida que me contesta:


E onde vais tu então?
Porque percorres tamanha longitude?

Não será todo este percurso em vão?

Num posterior sofrimento que urge?

E por dois momentos reflicto,

Sendo eles o peito e a razão,

Em que por conhecimento adquirido e convicto
lhe respondo de Pena na mão:

Quem sou eu para saber?

Se és tua a vida que tudo sabe?

Apenas sou tua viajante,

Que espera chegar ao fim da nebolusidade


E assim continuo, contente,

Que a vida me acompanhe e que se cale,

Pois que os pirilampos me iluminam
na corrente
deste vento, breve, liso, suave...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Como não amar-te?


É engraçado como nunca amamos da mesma forma, como podemos ter uma diversidade de sentir tal, que por vezes nos surpreendemos com o que nos damos conta que sentimos. É estranho pensar numa pessoa e deparamo-nos com o que ela já foi, com o que ela é e se ela continuará a ser... Por vezes, temos medo de sentir, de nos entregar, de cerrarmos os olhos á espera que tudo passe, apenas para não voltar a cair ou a deixar cair. Mas se realmente os poros da nossa pele se arrepiarem com a passagem do vento que desse alguém adveio, esse medo não passará, assim como não fugirá a eterna curiosidade do querer sentir, e não apenas pensar no "e se?" Ahh mas todos fugimos um pouco, e todos arriscamos também, como se bebêssemos um gole de coragem que nos arrebita para a vida... Há ainda quem arrisque tudo de uma só vez, e quem não consiga sequer arriscar por fugir de um passado que, mesmo inconscientemente, não se quer esquecer. Dou então as minhas palavras para quem as queira agarrar: há que percepcionar, há que pensar, há que fugir, há que esquecer, há que arriscar e há que deixar entrar todo o sentimento que esteja na nossa porta. Como não ser feliz? Como não deixar o sangue das minhas veias e artérias acelerar todos os meus sentidos? Como não querer-te, respirar-te, ser erguida por um alguémtão belo como tu? Como não amar-te?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Será a idade factor de compreensão? filosofias ...


Sonhos, ideias imaginadas que nos fazem cerrar os olhos acreditando que existem... São como linhas que tecemos ao longo da vida, motivando-nos a lutar e a acreditar nos nossos objectivos, necessitando-os como elixir de vida.
Que seria do Homem se não sonhasse? que seria de nós se não crescessemos imaginado um futuro promissor, regalado de todos as ideias que imaginámos um dia? O sonho é essencial...
Fútil aquele que guarda para si todos os seus desejos, aquele que tudo deseja sem realmente desejar, o que converte instantaneamente esse querer por algo não sonhado, apenas ganância...
E, acredito piamente, ainda que haja quem tudo deseje, há também que não deseja nada, pois não sonha, pois não lhe é permitido sonhar; e ainda que haja quem mereça muito do que deseja, há quem não pense no que realmente quer... vivendo no mundo do sonho, imaginando tudo, e sem saber nada de viver...
Sim, é claro que não podemos deixar de encarar a realidade, sonhar é a base para que tudo se torne real, mas há actos que não podem ser realizados, e temos de ter em conta a fronteira que separa ambos os mundos...
Será a idade factor de compreensão? ... certamente, assim como as experiências vividas.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Estado de Alma



Do toque suave que leva o meu cabelo para trás da orelha, vem a representação do meu estado de alma. Uma calma que há muito me faz falta está, aos poucos, instalando-se em mim.
Ouço a musica baixinho, aquela que tanto gosto, sinto a tranquilidade, vêem-me á cabeça todos os pensamentos esquecidos, todas as perguntas indecifráveis que sempre me atormentaram, todas as injustiças vividas. Penso que o Homem deve ser justo, leal, fiel, mas acima de tudo justo, o que consequentemente lhe acresce o valor de ser verdadeiro. Não há justiça sem verdade, logo, tento que a verdade justa viva na minha vida, ainda que não consiga fazer todos os meus outros valores vigorarem de igual forma.
Por vezes pensamos, "oh não, eu nunca irei fazê-lo!" Dizemo-lo com pompa e circunstancia, indiferentes ao facto de um dia podermos errar, pensamos que controlamos tudo aquilo que fazemos, mas não. Desengane-se quem pensa como as palavras que aqui declarei.
Todos, e sem excepção erramos um dia. E quanto mais pensamos na forma como iremos viver e o que vamos viver, pior será no dia do erro. O peso é maior, pois não nos preparámos para esse fardo que nos foi destinado.
Eu sei que as minhas perguntas nunca terão resposta, eu sei que o meu passado é apenas passado, por mais que os retrocessos psicológicos insistam em aparecer. No fundo, o que eu queria eram apenas as respostas ás questões que me perseguem no tempo e me atormentam ate hoje.
Sei que a serenidade total um dia virá, no dia em que desistir de perguntar, de querer saber mais, e de me contentar com aquilo que sei e que posso saber.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cheiro de Paz


Vagueio pelas ruas frias da cidade, iluminada, pelas luzes que da época são caracteristicas sigo o caminho que me leva á paz, não uma paz qualquer, nem a deste ou do outro, mas a minha paz...
A minha paz é única, é tranquilizante, é especial e o modo como ela me envolve faz-me sentir feliz como uma criança em dia de aniversário...
Vagueio na rua e sinto-lhe o cheiro, o cheiro do frio, da própria rua, dos sentimentos que me acompanham e me correm no sangue...
O meu pensamento não pára, absorvo todas as notas musicas e timbres que o meu mp3 solta a cada segundo, a musica dá-me vida, objectividade, esperança; esperança de que tudo corra bem.
Chego ao meu destino, toda a minha atenção se concentra num único ponto de referencia, sinto a minha paz invadir-me, e a pele do rosto tatuada pelo frio do crepúsculo de Inverno.
Sorrateiramente, chega-me a felicidade.